Era uma casa, muito engraçada. Não tinha teto, não tinha nada.
A mudança terminou. A casa poderia estar vazia mas não está.
Cada pedaço de nada foi preenchido com o que escolhi deixar. No quarto das crianças, um acampamento perfeito para o playmobil náufrago receber o Pirata Barba Velha, o Caveirudo, o xerife e o ladrão. Na outra metade dele, a Iaiá Preta toma Toddy com Pipi Longstocking os ursinhos e a Mulan(ba). Deixei de surpresa para que quando chegassem não sentissem amarrotados os corações de 3 e 5 anos. O meu, ... sentiu.
Os dois andam agarrados na minha camisola, com medo do eco, das sombras e do escuro. E disso até eu também, mas já não tenho saias em que me agarrar... Me seguro mesmo neles, que quanto mais crescem, mais parecem entrar em mim.
sexta-feira, 18 de outubro de 2013
terça-feira, 1 de outubro de 2013
Separação, por Antônia Dale
Mamãe, você e o papai estão se separando? ( dia seguinte da ida dele para Dubai).
Inglês nada animado
A escolha da escola em Dubai, pressupõe que o João esteja bem familiarizado com o inglês para fazer uma prova de admissão. Isso me tem tirado noites de sono já que temos pouco tempo e não posso me deixar levar pela emoção forçando o aprendizado sob pressão. As aulas da creche são complementadas duas vezes por semana no curso e mais uma vez em aula particular em casa com a mesma "Teacher Juliana" do The Schole. Hoje, pela primeira vez tive a experiência de ser chamada em sala, depois da aula, para ouvir advertências da professora a respeito do comportamento do João.
Tenho certeza de que ele está fazendo o melhor que pode, dentro dos seus cinco anos de vida, a saudade do pai, uma casa empacotada e conversas sobre uma terra nova... A professora, me parece razoável, mas confesso que depois do acontecido questionei a forma como abordou o problema depois da aula, o deixando um tanto acuado e exposto. Dentre as alegações estavam agressões aos amigos e total aversão às atividades ( ele disse: não bati mamãe, só cuspi!).
Tentei a terapia de choque na volta do carro, dizendo que esta noite ele não dormiria no meu quarto, mas no fundo sabia que não poderia cuprir este combinado extremo em tempos tão carentes... A noite passou e na hora de escovar os dentes eu ainda afirmava a decisão até que ele, com olhos alto mar me pediu baixinho: "Mamãe, me dá a última chance..." Atire a primeira pedra quem não cederia.
Tenho certeza de que ele está fazendo o melhor que pode, dentro dos seus cinco anos de vida, a saudade do pai, uma casa empacotada e conversas sobre uma terra nova... A professora, me parece razoável, mas confesso que depois do acontecido questionei a forma como abordou o problema depois da aula, o deixando um tanto acuado e exposto. Dentre as alegações estavam agressões aos amigos e total aversão às atividades ( ele disse: não bati mamãe, só cuspi!).
Tentei a terapia de choque na volta do carro, dizendo que esta noite ele não dormiria no meu quarto, mas no fundo sabia que não poderia cuprir este combinado extremo em tempos tão carentes... A noite passou e na hora de escovar os dentes eu ainda afirmava a decisão até que ele, com olhos alto mar me pediu baixinho: "Mamãe, me dá a última chance..." Atire a primeira pedra quem não cederia.
O corpo humano por Antônia Dale
Semanas atrás, fazendo uma sopa de folha de beterraba (aliás, deliciosa!) e de papo na cozinha com o Pedro, resolvi bater o caldo ainda fervendo no liquidificador. A tampa, meio bamba, fez espirrar o líquido no meu ombro e colo, queimando muito feio. Os dias se passaram e a casca "torrada"da pele começou a cair, deixando à mostra a pele de baixo, muito rosada de tão virgem. Antônia, muito curiosa e careteira como sempre, puxou saliva entre os dentes de aflita com aquele cenário e me disse: "MAMÃE! SUA QUEIMATIVA ESTÁ PÉSSIMA! ESTÁ APARECENDO O CHÃO DO SEU BRAÇO!"
Fim de papo
A despedida do Pedro foi como se esperava: sentida. Em função do horário do embarque, pelo menos consegui que as crianças não presenciassem o nosso abraço doído, silencioso e eterno em lágrimas e soluços. Mas antes desse grand finale, ainda tivemos umas risadas para quebrar o climão, promovidas pela Antônia... Oito da noite, eu no meio da cama de casal, ela a minha esquerda, João à direita, Pedro no chão chorando baixinho e fazendo cafuné no pequeno. Quase dormindo a gaiata manda essa: "Vai logo pra Dubai, vai papai...".
terça-feira, 7 de maio de 2013
Proibido para menores de 5 anos
Estávamos mesmo precisados de um tempo sem mamadeiras,
limpeza de bumbum, festas infantis e todos os etecéteras aos filhos relativos.
Minha mãe se encarregou de ficar com as crianças, generosa e
querida como sempre, plantando as sementes que colherá ao longo da vida deles…
Malas arrumadas e me vem o João com um porta retrato pequeno
que fica no aparador da mesinha do hall: “Mamãe… Você bota essa foto na minha
mala da casa da vovó?”era uma foto minha com o Pedro.
Achei que ao longo do fim de semana ele esqueceria, mas para
minha surpresa, logo que chegou na casa dela, pediu o porta retrato… A sensibilidade
do João me abraça sempre….
Anjos
Eu: Antônia, meu anjo da guarda tem asas tão grandes quanto
as árvores do Jardim Botânico… sabia? Quando eu ando e tem uma pedra pra eu
tropeçar, ele me afasta a pedra com as asas pra eu não cair. E o seu? Como é?
Antônia: O meu anjo da guarda é você mamãe…
Sem Fraldas
Todas as noites o relógio toca e desperta um pai exausto,
que levanta de um sono já leve para levar o pequeno grande João para fazer
xixi. Nossa menina cresce sem pedir e sustenta seus dias sem fralda há muitos
meses. Chegou a hora de suprimir de vez o acessório que além de quente e incômodo,
já nem combina mais com essa princesa engraçadinha.
Fizemos a primeira experiência ontem e eu mesma fiz o
caminho da fantasminha até o troninho duas vezes. Nada de colchão molhado no
dia seguinte. Hoje a tarefa passa para o Pedro, que já faz isso pelo mais velho
e nada custará fazer pela Tunica.
Pequeno dicionário atualizado
Antônia
Helicóptero – Alipecótelis
Tucar – ato de cutucar toda e qualquer erupção na pele do
braço da mãe ou do pai antes de dormir. É um carinho.
João
Canjerina – Tangerina
Atiro - Tiro
sexta-feira, 5 de abril de 2013
Parabéns meu filho!
Parabéns meu filho. No dia do seu aniversário de 5 anos, te fiz hambúrguer no jantar e escrevi esta carta pro teu anjo da guarda.
Olha aí.
Um menino de 5 anos
Que sabe nadar
Come espinafre
Já usa aparelho
Não sabe se chora
Não sabe se ri
Inventa histórias malucas
Desenha a vida da gente
Dorme na nossa cama
E quase não escapole o xixi
Um menino de 5 anos
Que escova os dentes sozinho
Gosta de usar All Star
que adora dançar
Tem cheiro de roupa limpinha
Tem unha roída
Cabelo desarrumado
e sangra o nariz
Diz que me ama
Reza comigo em jogral
Quer festa de monstro em abril
Não sabe contar mentira
E quer usar óculos de grau
Menino meu filho
Que cresce
Que corre
que me deixa mole mole
Menino poeta
Teu anjo da guarda tem asas de aço
Trabalha dobrado
Me ouve me ouve
Te peço: Protege esse meu menino
Não pisca teu olho!
Fez seu trabalho bem feito
Cinco anos sem leito
fez tudo direito
Te peço mais cem
Cuida dele Seu Anjo
Esse menino de ouro, de fogo, de planta, de mim.
Olha aí.
Um menino de 5 anos
Que sabe nadar
Come espinafre
Já usa aparelho
Não sabe se chora
Não sabe se ri
Inventa histórias malucas
Desenha a vida da gente
Dorme na nossa cama
E quase não escapole o xixi
Um menino de 5 anos
Que escova os dentes sozinho
Gosta de usar All Star
que adora dançar
Tem cheiro de roupa limpinha
Tem unha roída
Cabelo desarrumado
e sangra o nariz
Diz que me ama
Reza comigo em jogral
Quer festa de monstro em abril
Não sabe contar mentira
E quer usar óculos de grau
Menino meu filho
Que cresce
Que corre
que me deixa mole mole
Menino poeta
Teu anjo da guarda tem asas de aço
Trabalha dobrado
Me ouve me ouve
Te peço: Protege esse meu menino
Não pisca teu olho!
Fez seu trabalho bem feito
Cinco anos sem leito
fez tudo direito
Te peço mais cem
Cuida dele Seu Anjo
Esse menino de ouro, de fogo, de planta, de mim.
segunda-feira, 11 de março de 2013
João e a Bússola
João: Mãe, olha ali, uma bússola.
Eu: Onde joão?
João: Ali (na banca de jornal).
Eu: Isso mesmo meu filho, parabéns! Como você é esperto!
João: Na bússola a gente vê o pólo norte, a neve, a baleia e o Papai Noel.
Eu: Isso mesmo. E se você se perder em uma ilha deserta, como o menino do Corcel Negro, vai ser bem mais fácil se localizar....
João: Vamos comprar uma pra eu ver o papai?
(Pedro está no Texas).
Não me deixe só.. Eu tenho medo do escuro.
Do escuro ele não deveria ter medo, mas tem.
Da cobra, da tirolesa, do ladrão... não tem.
Da minha voz contando histórias de bruxas, tem medo.
Dos relâmpagos e trovoadas, não tem.
Estamos os quatro sozinhos desde que o Pedro viajou, na semana passada.
Nesses dias, teve de tudo. Escarlatina na Antônia. Dor de ouvido no João. Trabalho escorregando pela minha mão. Obra no novo estúdio da Estilaria. Sol escaldante de verão. Aperto de saudades no meu coração.
Passamos dias agarrados, nós três mais a Cuca. Foram intensos, bagunçados e deliciosos esses dias só de mãe com filhos. Depois de um sábado de descanso para recuperação dos miúdos, hoje a programacão foi mais intensa, com direito a exposição da Adriana Varejão, Café da manhã no Lapin e teatro no Shopping da Gávea. Nesta última, estava a vó Marília também cansada da rotina sem trégua com a bisa e o vovô. No fim do dia, de volta pra casa, mesmo dormindo na minha cama, João me dizia: "estou com medo mamãe." Medo de que meu filho? A mamãe está aqui com você, a noite todinha, do seu lado. Se vc sentir medo de noite, pode acordar. Vamos ficar de mãos dadas? Na nossa casa nada pode nos acontecer. Estou aqui pra te proteger."mas eu quero mais alguma coisa..." o que João? "o que mais eu posso querer?" Não estou entendendo meu filho... quer a sua espada pra colocar debaixo do travesseiro? "Não. Quero alguma coisa que brilhe no escuro" Foi então que resolvi pegar a lanterna que o vovô Luiz deu e PRONTO JOÃO... Serve isso? "... Serve mãe." e ele dormiu, agarrado em mim e na lanterna instantaneamente.
Hoje pude dar a lanterna, mas e na vida? Quantas "lanternas" poderei encontrar para iluminar seu caminho? Quantas vezes terei que dizer que ele vá, ainda que não haja nenhuma lanterna? Será que eu, que sempre "gostei do escuro" que sempre me joguei no abismo sem saber onde daria, poderei suportar este conselho com os filhos? Será que desde agora, pequenos, estou ensinando que a vida é arriscada e que correr riscos é a grande maravilha de estar aqui?
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
Em casa pode Mamãe...
Sabia que isso aconteceria, mas não sabia que agora.
As perninhas antes gorduchas se espicham mais e mais, mal cabendo no meu colo pequeno.
Mesmo assim, a cada fim de festa ainda tenho na memória, o tempo em que era eu que não me aguentava e que nem boneca de pano, me entregava ao colo de não lembro quem.
O Pedro já não dá colher de chá faz tempo e colo só se não houver remédio.
Hoje estávamos os dois sozinhos para atravessar a Marquês de São Vicente, e algum movimento suspeito meu fez com que ele dissesse: "No colo não mamãe..."Aquilo me soou amargo, como uma torta estragada, já que eu nem ia fazer ISSO.
Foi quando eu disse: "Por que meu filho?" e ele: "Meus amigos vão achar que ainda sou bebê mamãe. Tá bem mamãe?" (aquele olhar que só ele sabe fazer. Doce, quase me pedindo desculpas por estar dizendo que cresceu.) E eu entendi e perguntei: "em casa pode?" e ele concordou que sim.
Já depois do banho, enrolado na toalha e de pé na borda da banheira ia pegando no colo meu Peter Pan às avessas quando desisti dizendo que ele pulasse dali. Foi quando olho no olho ele respondeu: "Em casa pode mamãe." E abraçados fomos andando, como dois macacos pela nossa floresta.
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Menino estrela. Estrela. Estrela. ESTRELA
Vida muito, vida grande, tempo pequeno. O registro desses dias tem sido miúdo, mas não as vivências. Filhos que crescem sem me pedir, coração esmagado de saudade mesmo estando perto. Este fim de semana meu pequeno menino tímido, desabrochou no "palco iluminado com a alma cheirando a talco/ como bumbum de bebê. De aura clara, só quem é carividente pode ver..." À vontade e cheio de si, cantou e dançou brilhando que nem estrela. Nestes dias me convenço de que cada sacrifício vale a pena e que escolhemos uma escola capaz de proporcionar experiências completas e profundas. Estávamos cercados de amigos, amigos dos amigos, dos pais...uma nova família que se formou com surpresa no meio de marmanjos mais que experimentados. Homenagem a Gonzagão, sagitariano cabra da peste que se deixava tocar por emoções tão primitivas quanto o gosto do suor da morena. Homem forte, intenso, imenso. João já conhece.
Depois das emoções do fim de semana, ganhei a noite de hoje quando deitei do seu lado e com a mão pequena de menino, pegou na minha e no dedo anelar colocou o anel do lanterna verde. Olhando no meu olho deu um beijo dizendo: "Mamãe, depois que você for pra sua cama dormir, eu vou também. Vou deitar do seu lado pra te fazer carinho." Depois disso, virou de lado, agarrado no meu braço e... dormiu sorrindo.
segunda-feira, 25 de junho de 2012
sem chupeta
4 anos e nada do João largar a chupeta. Junto dela vinha a fralda para dormir e a mamadeira. Tentamos de uma forma frouxa, ir tirando uma coisa de cada vez, mas eu me rendia sempre que via aquele denguinho triste de menino grande pequeno. Tenho dificuldade de deixa-lo crescer, de entender que é preciso. Mas depois de duas noites de abstinência... ele conseguiu. Ele e eu.
Preciso deixa-lo ir em frente. Quanto mais, menos meu. E vai ser sempre assim.
Oficalmente, com quatro anos e dois meses.
segunda-feira, 4 de junho de 2012
CHILIQUINHO....
segunda feira, oito e vinte da manhã.
A usual confusão na saída de casa é um clássico repaginado quando se trata do primeiro dia da semana. Não acho a chave do carro, Antônia quer levar um vidrinho de shampoo pra mostrar às amigas, João chora porque eu não sei onde coloquei o dele e Pedro chama todo mundo às trovoadas suando de nervoso.
Todos instalados em suas cadeirinhas e lá vamos nós. Minha carona é curta, mas valiosa, já que carrego além da bolsa oficial, mais duas extras com provisões para o dia inteiro.
O falatório continua comendo solto no banco de trás sendo Antônia a usual protagonista e o João, irritado com tanta progesterona de vez em quando solta um "PARA DE FALAR TÔNIA!". Ainda em frente ao Parque Lage continua a história do maldito shampoozinho e o Pedro manda "OLHA O CHILIQUINHO!" e sem perder a oportunidade e imendando em outro assunto, Tonica pergunta: "ONDE PAPAI? CADÊ O CHILIQUINHO?".
AHAHAHAHAHAHAHAHAHA A GARGALHADA FOI GERAL... Bela forma de começar a semana!
terça-feira, 3 de abril de 2012
feliz aniversário meu filho...
Ha 4 anos não fico doente. Quatro anos que não saio de mim. Quatro anos que não durmo e não reclamo. Quatro anos que não como o primeiro pedaço, não vou ao banheiro sozinha. Há quatro anos sou beijada muitas vezes diariamente. Quatro anos que minha audição é seletiva, minha paciência estratosférica, minha imagem… diferente. Diferente de antes que antes era só para mim, em mim, assim… Sou capaz de me transformar em bruxa e heroína, e o Pantone hoje tem milhares de outras cores. Sou carne moída, relógio de 30 horas, sou mais forte que bala de canhão. Sou sem-vergonha, verdade, nem ligo. Há quatro anos ninguém me incomoda, ninguém me derrota e comigo ninguém pode.
Foi ontem e é hoje, é todo dia porque tenho João, meu filho, minha espada, meu diamante, meu pão. Quero saúde, pra assistir ao teu mergulho na vida. Pra te dar a mão, escutar teu grito, e simplesmente estar. Obrigada meu filho. Depois de você, minha vida é sol. Deus te abençoe.
Foi ontem e é hoje, é todo dia porque tenho João, meu filho, minha espada, meu diamante, meu pão. Quero saúde, pra assistir ao teu mergulho na vida. Pra te dar a mão, escutar teu grito, e simplesmente estar. Obrigada meu filho. Depois de você, minha vida é sol. Deus te abençoe.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Palhaços de Meia
Em tempos de colônia de férias, a creche (sensacional!), está com o tema do circo. Ontem teve show de mágicas, outro dia aquelas bolas de encher compridas que dá pra mexer e transformar em bichinhos e todas as atividades em torno do tema. Não dá pra guardar tudo que eles trazem, mas resolvi que vou pelo menos fotografar alguns os trabalhinhos e publicar aqui. Olha os palhacinhos que eles fizeram com meias!
Eles estão crescendo...
As crianças crescem. João fala quase que perfeitamente, constrói frases elaboradas e expressa muito bem seus sentimentos.
“- Estou muito aborrecido. “
Por que João?
“Porque a Antônia não quer me dar a espada.”
Toda noite reza e quando termina, diz que me ama. Tem medo de ficar no quarto quando acorda de madrugada e ivariavelmente termina na nossa cama. São as sombras. Já expliquei que elas só existem porque existe a luz, deixei uma lanterna debaixo do travesseiro, mas nada adianta. Acho que elas se transformam em bruxas que ele tem adoração e pavor.
Adora “ler”e tenho estimulado este gosto, também com gibis, ótimos para que se distraia no carro ou no banheiro. Ele mesmo conta as historinhas, que invariavelmente começam com “era uma vez” e terminam com “foram felizes para sempre”
A chupeta e a mamadeira continuam firmes, mas começam a incomodar. Semana passada fizemos a primeira tentativa, a pedido dele, para dormir sem fralda. É um claro periodo de transição que se complica por conta da irmã.
Nada como Acquaman, se joga da borda de qualquer piscina sem medo algum. Fica perto da borda, numa verdadeira aula de “natação defensiva. Aos poucos as preocupações são dominuídas, a cada conquista de independência.
Antônia cresce palhaça, cheia de trejeitos e meninices. Feminina e atirada, sem medo de nada além do Saci. Abraça e distribui beijos, sempre escorrida de tinta, maquiagem, caneta, catarro, mate e melancia. Tem pernocas fortes e imita o irmão em tudo. Brinca sozinha, e adora um paninho. Paninho pra enrolar a boneca, limpar o nariz, o chão ou dormir.
Os dois me abraçam o tempo todo, vivem subindo pelas minhas costas , pelas pernas e entram cada vez mais fundo no meu coração. Eu, tenho trabalhado muito, ficado cansada e tido menos tempo do que gostaria para ficar com eles, assim…fazendo tudo e nada. Não estou perdendo o crescimento deles, mas a vontade de estar perto só aumenta. Me preparo para mais uma viagem no final de fevereiro. Onze dias sem esse cheiro, sem as coçadinhas, esses olhinhos. Queria poder apertar um botão de pausa…Pausa….Pausa….Pausa. Pra que mesmo a gente corre tanto?
“- Estou muito aborrecido. “
Por que João?
“Porque a Antônia não quer me dar a espada.”
Toda noite reza e quando termina, diz que me ama. Tem medo de ficar no quarto quando acorda de madrugada e ivariavelmente termina na nossa cama. São as sombras. Já expliquei que elas só existem porque existe a luz, deixei uma lanterna debaixo do travesseiro, mas nada adianta. Acho que elas se transformam em bruxas que ele tem adoração e pavor.
Adora “ler”e tenho estimulado este gosto, também com gibis, ótimos para que se distraia no carro ou no banheiro. Ele mesmo conta as historinhas, que invariavelmente começam com “era uma vez” e terminam com “foram felizes para sempre”
A chupeta e a mamadeira continuam firmes, mas começam a incomodar. Semana passada fizemos a primeira tentativa, a pedido dele, para dormir sem fralda. É um claro periodo de transição que se complica por conta da irmã.
Nada como Acquaman, se joga da borda de qualquer piscina sem medo algum. Fica perto da borda, numa verdadeira aula de “natação defensiva. Aos poucos as preocupações são dominuídas, a cada conquista de independência.
Antônia cresce palhaça, cheia de trejeitos e meninices. Feminina e atirada, sem medo de nada além do Saci. Abraça e distribui beijos, sempre escorrida de tinta, maquiagem, caneta, catarro, mate e melancia. Tem pernocas fortes e imita o irmão em tudo. Brinca sozinha, e adora um paninho. Paninho pra enrolar a boneca, limpar o nariz, o chão ou dormir.
Os dois me abraçam o tempo todo, vivem subindo pelas minhas costas , pelas pernas e entram cada vez mais fundo no meu coração. Eu, tenho trabalhado muito, ficado cansada e tido menos tempo do que gostaria para ficar com eles, assim…fazendo tudo e nada. Não estou perdendo o crescimento deles, mas a vontade de estar perto só aumenta. Me preparo para mais uma viagem no final de fevereiro. Onze dias sem esse cheiro, sem as coçadinhas, esses olhinhos. Queria poder apertar um botão de pausa…Pausa….Pausa….Pausa. Pra que mesmo a gente corre tanto?
terça-feira, 27 de setembro de 2011
Desconheço...
"- João..
- Nossa casa está malucona...
- Que que tem nela?
- Ah.. é surpresa..
- Surpresa?
- Sim..
- Surpresa não pode contar né?
- Não.. Surpresa é quando a gente tem uma coisa pra contar, mas não conta na hora, só depois... E segredo é quando alguém conta uma coisa pra gente e a gente nunca pode contar.
- Mãe..
- Eu não sei contar segredo..Você conta?
- ...
- Também não sei filho."...
- Nossa casa está malucona...
- Que que tem nela?
- Ah.. é surpresa..
- Surpresa?
- Sim..
- Surpresa não pode contar né?
- Não.. Surpresa é quando a gente tem uma coisa pra contar, mas não conta na hora, só depois... E segredo é quando alguém conta uma coisa pra gente e a gente nunca pode contar.
- Mãe..
- Eu não sei contar segredo..Você conta?
- ...
- Também não sei filho."...
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