quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Perto do novo...

Estou contando os dias para o nascimento da Antônia. Sou persistente e resistente a dores, mas já não posso suportar as limitações do meu corpo. Sentar no chão com o João para brincar, dar banho de banheira, pegar no colo, correr e fazer cosquinha... Ele, atento e esperto, me percebe a cada dia mais cansada, me vendo deitada a toda hora, fica arredio e me arrisco dizer que algumas vezes se afasta para não ver essa nova mamãe. Nâo consigo parar de pensar que os dias estão contados, que em breve estarei ainda mais limitada por novas dores da cirurgia, absorta em conchas de amamentação, fraldas de cocô amarelo ouro e um novo chorinho baixo e rouco.
Eu e o Pedro estaremos ainda mais distantes de um passado em que éramos só um do outro, e próximos de uma vida dedicada principalmente aos filhos.. Estes pensamentos me perseguem e trazem a solidão vazia que nunca tive antes. Um silêncio progressivo que traz medo e dúvida. Eu também posso ter dúvidas. Eu também posso não ser forte o tempo todo. Além de mãe do João e da Antônia eu também continuo sendo, Beatriz.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Alarme Falso


Estive pela última vez em consulta com o obstetra no dia 21 de dezembro. Tudo ia bem até que ele me sugeriu marcar uma cesariana para o dia 26 de dezembro. Eu só completaria as 38 semanas dois dias depois. Antes disso já conversara com o pediatra e com o radiologista sobre prós e contras de marcar o parto antes das 40 semanas e ambos foram categóricos explicando que o melhor mesmo é esperar até no mínimo 39.
Perguntei se havia alguma indicação clínica para antecipar a cirurgia e ele disse que não. No exame de toque Antônia ainda não estava encaixada, na última ultra a placenta estava com grau 2 e ainda havia bastante líquido. Minha pressão permanecia a 10 X 6. Nada que indicasse urgência. Portanto, botei pé firme e não me intimidei. Meu obstetra não estará no Rio entre os dias 27 e 02 e caso ela resolva sair do forno, virá ao mundo pelas mãos do assistente. Paciência.
Ando com passinho de formiga, já não durmo e a barriga pesa toneladas. Sinto dores na virilha, na pélvis, na base das costas, falta de ar... Já não consigo me abaixar para dar banho de banheira no João, e nem me acomodar na cama dele para dar a mamadeira de madrugada. O Pedro tem assumido tudo com dedicação e carinho.
Sinto saudades da minha independência, agilidade e força. Está mesmo na hora dela nascer... Esta madrugada tive contrações e dores parecidas com cólicas das 4 às 7 da manhã. Liguei para o médico e ele disse que é normal. Ensaio para o grande dia.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Frosty, The Snowman e João!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

A Farra da farinha

Fui pegar o João na crecehe cheia de saudade, no dia seguinte em que ele dormiu na casa da vó Gabriela. Ele me fez uma desfeita como nunca antes, emburrando a cara e expremendo um bico enorme entre aquelas duas bochechas deliciosas... Eu disse: "Vem cá meu amor, mamãe está com muita saudade de você! Dá um abraço..." Ele se agarrou nas pernas da Tia Inês e nada. Depois, veio devagarinho, me abraçou com força apertando o pescoço e deitando a cabeça no meu ombro.
Tenho certeza de que ficar na casa da vovó foi muito divertido, mas ele precisava demonstrar o quanto sentiu o "abandono". Ele sabe como me "pegar"...Viemos abraçados no taxi, sem falar nada. Eu, ele e a Barriga.
Chegamos em casa e resolvi fazer uma brincadeira diferente. Peguei uma bacia bem grande, e uma caneca com farinha. Levei pra dentro da banheira e sentei de frente pra ele, com a bacia enter nós. Despejei a farinha e aos poucos a água. "João, vamos fazer um bolo de meleca?"ahahahahahahahahaahahah!". Ele respondeu "Qué!!".
A massa ia grudando nas nossas mãos, eu jogava massa nele e ele em mim. O banheiro ficou cheio de "bolo de meleca" pra todos os lados e nós.. bem nós, estávamos como os Três Patetas, quando faziam guerra de torta.. (sempre quis fazer isso...). Saí da banheira, tirei a roupa dele e a minha e fomos pro chuveiro com a bacia e o resto da massa junto. Tudo derreteu e saímos limpinhos de lá de dentro.... Molhados pelo meio da casa, patinando tudo ao nosso redor, fui trocar a roupa dele e ... espera aí.. O que é isso? Estávamos com os cabelinhos do braço e da barriga e das pernas todos cheios de bolinhas, como blusas de malha velha. Passei óleo Johnson, nada. Passei loção... nada. Puxei e ele dizia "ai! modeu! bíciu"(ai o bicho me mordeu).Resultado. Uma semana já se passou e continuamos cheios de melecas ressecadas de farinha grudadas por todo o corpo. Mas quer saber? Eu adorei a brincadeira!

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Tá dificil!

É amigos...Tá dificil a gravidez dessa menina! Na teoria nossa filhota pode nascer a partir do dia 27 de Dezembro, que é quando ela completa 38 semanas e já pode ser considerada uma bebê madura!!

Bia já não aguenta mais o peso da barriga, tem dificuldades para andar, para dormir, para cuidar do João...tadinha. Soma-se a esse estado, o ritmo forte de trabalho nesses últimos dias e o que temos é uma Bia muito cansada.

Nosso desejo era de que pudéssemos dormir a acordar apenas no dia do parto.

Nessa quinta feira faremos provavelmente a última ultra-sonografia antes do parto. Eu e Bia acreditamos que a Antonia já deva ter uns 3kgs e vai nascer beeeeem grande!!

As malas da maternidade tanto da Antonia quanto da Bia ficam prontas essa semana e ai só podemos esperar.

Com essa previsão, passaremos o Natal e Reveillon bem quietos a espera do nosso presente de Natal :-)

Enquanto isso, João está uma peça! Fala TUDO que ouve e está cada vez mais independente, cheio de vontades e MUITO ciumento em relação a Bia. Quando a Antonia chegar, o bicho vai pegar!

Abaixo algumas fotos que foram tiradas no chá de fraldas da Mel, prima que nasce em Fevereiro!



terça-feira, 24 de novembro de 2009

Eu e eu mesma

Eu já não estou mais cabendo dentro de mim. Não me reconheço no espelho, não suporto o calor, me mexo como se fosse velha, vivo como uma orquídea de estufa no ar condicionado. Me esforço para ter mais paciência com isso, trabalho dobrado para esquecer do tempo e me evito o quanto posso. Foram 9 meses de gravidez, mais quase onze de amamentação. Um mês voltando ao normal e no seguinte, grávida outra vez. Pode soar como ingratidão já que tantas pessoas não têm a mesma facilide para engravidar, mas eu PRECISO voltar a ser eu.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

A cobra e a cococa

Tarde dessas em Teresópolis, vovó Marília apresentou uma minhoca ao João. Ele ficou espantadíssimo e muito animado com aquele bichinho que se contorcia e sumia nos buraquinhos da terra e dizia "Cococa! Cococca!! Cococa!!!". Isso aconteceu na escada de pedra, do lado esquerdo da casa, uma das passagens mais interessantes para o jardim. Era a hora do almoço para os adultos e a vovó precisava subir para dar os últimos ajustes com a cozinheira. Inconformado por ter que deixar de brincar com a Cococa, chorou das lágrimas pularem e batia as pernas no chão inconformado com tanta chatice. Tentamos distraí-lo com outras coisas, tomamos um sorvete de sobremesa e a Cococa ficou temporariamente esquecida.
No dia seguinte, como de costume, abri a janela do nosso quarto de manhã cedinho e coloquei o João sentado na janela com os pés para fora da grade. Fiquei contando as mesmas historias de sempre, acordando os passarinhos, procurando os macacos e dizendo que a neblina voltasse para o céu e chamasse o sol. Ele, prestando muita atenção na paisagem e em todas essas coisas que eu falava, de repente olhou para baixo e ... Lá estava a escada de pedra, a casa da Cococa! "Mamãe! Cococa! Cococa!!". Senti falta das minhas galochas e notei que já é hora de comprar umas pra ele também... Coloquei um roupão por cima da camisola, calcei uns crocs velhos em mim e nele, peguei o balde, o ancinho e a pá e lá fomos nós!!! "Vamos procurar Cococas João!!" Ainda tinha orvalho na grama, mas eu queria cavucar os canteiros da horta que fica lá no fundo e fingi que não vi que nossos pés ficariam ensopados. O próprio João ficou me mostrando a meia molhada mas como não dei importância, ele notou que às vezes faz parte da brincadeira um pouco de terra molhada.
Reviramos o canteiro, primeiro com o ancinho e depois com a pá. Quando eu pegava o ancinho ele tomava de mim. Se eu pegava a pá, era ela que ele queria. Quase brigamos pela ferramenta, mas logo me lembrei que afinal eu estava ali para brincar com ele e não para disputar seus brinquedos. NADA DE COCOCAS.
O novo caseiro, que catava pinhas para a lareira ali do lado, perguntou o que queríamos e quando eu disse minhocas, dentro de alguns segundos ele nos trouxe 6! Jogamos as criaturinhas no balde, colocamos terra e plantinhas para que comessem enquanto observávamos seu comportamento tímido. Mas estas estavam animadas e se reviravam rapidinho, o que dava uma sensação estranha no João, que sacudindo as mãozinhas dava gritos de exclamação! A esta altura o papai já tinha chegado para participar da brincadeira e começou a fazer cócegas no barrigudo, que lhe deu uns bons tapas zangado, dizendo "NÃO!!!".
Logo em seguida, grita de lá de casa a cozinheira: " Tem uma cobra na churrasqueira!!! Vem alguém aqui pegar esse bicho!". Mas que maravilha! Por essa eu não esperava! Saí em disparada, carregando a barriga com pressa para não perder a chance de ver tão temido bichinho. Eu estava certa que era um exagero feminino, e o Pedro estava bastante desconfiado daquilo, perguntando de longe: "Aparecida? De que tamanho é a cobra???"(ahahahahahahahahahah!) Chegamos os três no canteiro ao lado da churrasqueira e encontramos uma cobrinha de rio, uma cobra de nada, já cansada coitada. Pedi um vidro de geléia a guardei a cobra por mais um tempinho. Assim poderíamos compará-la com as Cococas do balde. Dei o vidro ao João que explorou o bicho lá dentro, olhou de um lado, olhou de outro.. mas gostou mesmo foi das COCOCAS!!!

O sapo que tinha rabo




O último feriado em Teresópolis foi ainda mais mágico que o anterior.
Saímos em busca dos "peixes" da nascente de varinha comprida em punho. A excitação começa já nas escadinhas por onde ele desce com uma das mãos agarrada à minha e a outra com a varinha. Aquela passagem quase secreta entre as babosas ainda estava muito coberta de musgo e limo o que a torna ainda mais misteriosa... Sentados no último degrau antes do poço, começamos a cutucar os girinhos e qual não foi a nossa surpresa.. !! Um deles estava completamente verde, já tinha as patas da frente e as de trás mas ainda conservava o rabinho!! Era praticamente um sapo! Ficamos ali muitos minutos, esquecidos de todos que deviam estar dentro de casa sem notar o nosso sumiço. A boca da calça de moletom estava toda molhada e as investidas da varinha na água espirraram água também no casaco e no cabelo. A Cuca, nossa companheira de aventuras sempre por perto, com a bola na boca, acabou deixando cair o brinquedo e quem disse que conseguíamos regatá-lo? Eu, desequilibrada como estou, corria o risco de cair lá dentro ou pior, me espatifar de bunda na escada.. O João, estava interessado demais nas criaturinhas verdes para perder tempo com a bola cor de rosa, sua velha conhecida. Ela não se fez de rogada: deu um pulo naquela água gelada e pé ante pé conseguiu de volta sua amiga! "Bravo Cuca! Agora corre daqui, antesque o papai te veja e comece a esbravejar!!!"

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

O castigo do João


Fui buscar o João na creche mais cedo do que de costume já que a saudade foi mais forte que o cansaço do final de semana. Eu queria ver aquela carinha feliz por me ver chegar na creche e voltar logo pro Jardim Botânico. O horário de verão faz com que tenhamos mais tempo para bricar antes do jantar, quem sabe dando um passeio como na quinta feira passada, quando fizemos uma boa farra na Lagoa?
A recepção foi deliciosa como sempre, com abraços mil e carinhos apertados. Entramos no taxi bem abraçadinhos e viemos pelo caminho, comendo bananas e olhando para os coqueiros em busca dos macacos. Quando chegamos em casa ainda pegamos o carrinho e demos uma boa volta no quarteirão, aproveitando para comprar leite e biscoito maizena no mercadinho da esquina. Voltamos de mãos dadas, ele sentado no carango, olhando para trás e fazendo contorcionismo para poder me dar a mão enquanto voltávamos para casa.
Ainda tivemos tempo de jogar bola, ouvir música, brincar de cosquinha e explorar o espaço amedrontador embaixo do berço antes da hora da ceia.
Depois da sopa de batata doce com espinafre e requeijão e da gelatina de uva começou a malcriação.... No banho não levantava para lavar o pinto. Jogava água pra cima, dava risinhos desafiadores, me testando a todo momento. Sem hesitar nem levantar a voz, falei firme e tirei o pequeno da banheira para ensaboar em pé do lado de fora. Chorou. Quando voltou para se enxaguar, recomeçou a bagunça e o choro cessou imediatamente.
Peguei o enroladinho de criança mais gostoso do mundo e levei para o trocador. Tudo estava bem até que ele sem mais nem porque, me deu um tapa. E outro. Ficou esperando a minha reação. Sem medo e bem determinada, peguei o moleque espivitado molhado e pelado, e coloquei no berço. Disse que ele não podia bater na mamãe e que por isso estava de castigo. Saí do quarto e encostei a porta. Silêncio. Logo em seguida, choro, choro e choro. "Mamãããnhêêêê... Auauaouauaua...."Minha intenção era a de permanecer do lado de fora durante um minuto e meio, tempo equivalente a sua idade. Não aguentei esperar esta eternidade e voltei com 50 segundos.
Encontrei ele ali, com os bracinhos esticados, me chamando com as mãozinhas nervosas, me pedindo colo. Quando fui pegá-lo, se jogou dando risadas no berço. Falei firme. João, está na hora de trocar a fralda e colocar o pijama. Você quer mais castigo? Na mesma hora, me obedeceu, veio no colo e dócil como de costume, me deixou fazer o que devia ser feito. Nos abraçamos como todas as noites, iluminamos o quarto com a lanterna, lemos o livro dos peixes e cheios de carinhos, adormecemos. É o início de outra fase de nossa relação.... Mamãe brinca, alimenta, dá carinho, cuida, e agora... EDUCA!

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Reclamação 1

Minha barriga não para de crescer, e a Antonia de se mexer dentro dela. Isso me assusta porque é sinal de que ainda tem espaço para estripulias e a barriga ainda crescerá muito mais até janeiro.
Me sinto cada dia mais cansada, desanimada de sair de casa, querendo me cobrir com uma burca e me esconder de todo mundo. Me lembro de ter sentido isso na outra gravidez, como uma gata que quando vai chegando perto de dar a luz, se recolhe dentro de um armário debaixo de panos velhos. Me sinto como um bicho. Uma fêmea. Já engordei muito mais que deveria e peso hoje um quilo a menos que pesava quando o João nasceu. Não consigo comer direito à noite (ótimo!), já não bebo mais líquidos depois do jantar e estou intolerante a adoçantes de um modo geral. Desanimada, sigo em frente trabalhando mais que nunca, sentadinha no meu ninho e esperando os últimos meses pela filhota. Ter filhos é maravilhoso. FICAR GRÁVIDA É HORROROSO!