terça-feira, 7 de maio de 2013

Proibido para menores de 5 anos



Estávamos mesmo precisados de um tempo sem mamadeiras, limpeza de bumbum, festas infantis e todos os etecéteras aos filhos relativos.
Minha mãe se encarregou de ficar com as crianças, generosa e querida como sempre, plantando as sementes que colherá ao longo da vida deles…
Malas arrumadas e me vem o João com um porta retrato pequeno que fica no aparador da mesinha do hall: “Mamãe… Você bota essa foto na minha mala da casa da vovó?”era uma foto minha com o Pedro.
Achei que ao longo do fim de semana ele esqueceria, mas para minha surpresa, logo que chegou na casa dela, pediu o porta retrato… A sensibilidade do João me abraça sempre….

Anjos



Eu: Antônia, meu anjo da guarda tem asas tão grandes quanto as árvores do Jardim Botânico… sabia? Quando eu ando e tem uma pedra pra eu tropeçar, ele me afasta a pedra com as asas pra eu não cair. E o seu? Como é?
Antônia: O meu anjo da guarda é você mamãe…

Sem Fraldas



Todas as noites o relógio toca e desperta um pai exausto, que levanta de um sono já leve para levar o pequeno grande João para fazer xixi. Nossa menina cresce sem pedir e sustenta seus dias sem fralda há muitos meses. Chegou a hora de suprimir de vez o acessório que além de quente e incômodo, já nem combina mais com essa princesa engraçadinha.
Fizemos a primeira experiência ontem e eu mesma fiz o caminho da fantasminha até o troninho duas vezes. Nada de colchão molhado no dia seguinte. Hoje a tarefa passa para o Pedro, que já faz isso pelo mais velho e nada custará fazer pela Tunica.  


Pequeno dicionário atualizado



Antônia
Helicóptero – Alipecótelis
Tucar – ato de cutucar toda e qualquer erupção na pele do braço da mãe ou do pai antes de dormir. É um carinho.

João
Canjerina – Tangerina
Atiro - Tiro





sexta-feira, 5 de abril de 2013

Parabéns meu filho!

Parabéns meu filho. No dia do seu aniversário de 5 anos, te fiz hambúrguer no jantar e escrevi esta carta pro teu anjo da guarda.

Olha aí.
Um menino de 5 anos
Que sabe nadar
Come espinafre
Já usa aparelho
Não sabe se chora
Não sabe se ri
Inventa histórias malucas
Desenha a vida da gente
Dorme na nossa cama
E quase não escapole o xixi
Um menino de 5 anos
Que escova os dentes sozinho
Gosta de usar All Star
que adora dançar 
Tem cheiro de roupa limpinha
Tem unha roída
Cabelo desarrumado
e sangra o nariz
Diz que me ama
Reza comigo em jogral
Quer festa de monstro em abril
Não sabe contar mentira
E quer usar óculos de grau
Menino meu filho
Que cresce
Que corre
que me deixa mole mole
Menino poeta
Teu anjo da guarda tem asas de aço
Trabalha dobrado
Me ouve me ouve
Te peço: Protege esse meu menino
Não pisca teu olho!
Fez seu trabalho bem feito
Cinco anos sem leito
fez tudo direito
Te peço mais cem
Cuida dele Seu Anjo
Esse menino de ouro, de fogo, de planta, de mim.

segunda-feira, 11 de março de 2013

João e a Bússola

João: Mãe, olha ali, uma bússola. Eu: Onde joão? João: Ali (na banca de jornal). Eu: Isso mesmo meu filho, parabéns! Como você é esperto! João: Na bússola a gente vê o pólo norte, a neve, a baleia e o Papai Noel. Eu: Isso mesmo. E se você se perder em uma ilha deserta, como o menino do Corcel Negro, vai ser bem mais fácil se localizar.... João: Vamos comprar uma pra eu ver o papai? (Pedro está no Texas).

Não me deixe só.. Eu tenho medo do escuro.

Do escuro ele não deveria ter medo, mas tem. Da cobra, da tirolesa, do ladrão... não tem. Da minha voz contando histórias de bruxas, tem medo. Dos relâmpagos e trovoadas, não tem. Estamos os quatro sozinhos desde que o Pedro viajou, na semana passada. Nesses dias, teve de tudo. Escarlatina na Antônia. Dor de ouvido no João. Trabalho escorregando pela minha mão. Obra no novo estúdio da Estilaria. Sol escaldante de verão. Aperto de saudades no meu coração. Passamos dias agarrados, nós três mais a Cuca. Foram intensos, bagunçados e deliciosos esses dias só de mãe com filhos. Depois de um sábado de descanso para recuperação dos miúdos, hoje a programacão foi mais intensa, com direito a exposição da Adriana Varejão, Café da manhã no Lapin e teatro no Shopping da Gávea. Nesta última, estava a vó Marília também cansada da rotina sem trégua com a bisa e o vovô. No fim do dia, de volta pra casa, mesmo dormindo na minha cama, João me dizia: "estou com medo mamãe." Medo de que meu filho? A mamãe está aqui com você, a noite todinha, do seu lado. Se vc sentir medo de noite, pode acordar. Vamos ficar de mãos dadas? Na nossa casa nada pode nos acontecer. Estou aqui pra te proteger."mas eu quero mais alguma coisa..." o que João? "o que mais eu posso querer?" Não estou entendendo meu filho... quer a sua espada pra colocar debaixo do travesseiro? "Não. Quero alguma coisa que brilhe no escuro" Foi então que resolvi pegar a lanterna que o vovô Luiz deu e PRONTO JOÃO... Serve isso? "... Serve mãe." e ele dormiu, agarrado em mim e na lanterna instantaneamente. Hoje pude dar a lanterna, mas e na vida? Quantas "lanternas" poderei encontrar para iluminar seu caminho? Quantas vezes terei que dizer que ele vá, ainda que não haja nenhuma lanterna? Será que eu, que sempre "gostei do escuro" que sempre me joguei no abismo sem saber onde daria, poderei suportar este conselho com os filhos? Será que desde agora, pequenos, estou ensinando que a vida é arriscada e que correr riscos é a grande maravilha de estar aqui?

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Em casa pode Mamãe...

Sabia que isso aconteceria, mas não sabia que agora. As perninhas antes gorduchas se espicham mais e mais, mal cabendo no meu colo pequeno. Mesmo assim, a cada fim de festa ainda tenho na memória, o tempo em que era eu que não me aguentava e que nem boneca de pano, me entregava ao colo de não lembro quem. O Pedro já não dá colher de chá faz tempo e colo só se não houver remédio. Hoje estávamos os dois sozinhos para atravessar a Marquês de São Vicente, e algum movimento suspeito meu fez com que ele dissesse: "No colo não mamãe..."Aquilo me soou amargo, como uma torta estragada, já que eu nem ia fazer ISSO. Foi quando eu disse: "Por que meu filho?" e ele: "Meus amigos vão achar que ainda sou bebê mamãe. Tá bem mamãe?" (aquele olhar que só ele sabe fazer. Doce, quase me pedindo desculpas por estar dizendo que cresceu.) E eu entendi e perguntei: "em casa pode?" e ele concordou que sim. Já depois do banho, enrolado na toalha e de pé na borda da banheira ia pegando no colo meu Peter Pan às avessas quando desisti dizendo que ele pulasse dali. Foi quando olho no olho ele respondeu: "Em casa pode mamãe." E abraçados fomos andando, como dois macacos pela nossa floresta.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Menino estrela. Estrela. Estrela. ESTRELA

Vida muito, vida grande, tempo pequeno. O registro desses dias tem sido miúdo, mas não as vivências. Filhos que crescem sem me pedir, coração esmagado de saudade mesmo estando perto. Este fim de semana meu pequeno menino tímido, desabrochou no "palco iluminado com a alma cheirando a talco/ como bumbum de bebê. De aura clara, só quem é carividente pode ver..." À vontade e cheio de si, cantou e dançou brilhando que nem estrela. Nestes dias me convenço de que cada sacrifício vale a pena e que escolhemos uma escola capaz de proporcionar experiências completas e profundas. Estávamos cercados de amigos, amigos dos amigos, dos pais...uma nova família que se formou com surpresa no meio de marmanjos mais que experimentados. Homenagem a Gonzagão, sagitariano cabra da peste que se deixava tocar por emoções tão primitivas quanto o gosto do suor da morena. Homem forte, intenso, imenso. João já conhece. Depois das emoções do fim de semana, ganhei a noite de hoje quando deitei do seu lado e com a mão pequena de menino, pegou na minha e no dedo anelar colocou o anel do lanterna verde. Olhando no meu olho deu um beijo dizendo: "Mamãe, depois que você for pra sua cama dormir, eu vou também. Vou deitar do seu lado pra te fazer carinho." Depois disso, virou de lado, agarrado no meu braço e... dormiu sorrindo.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

sem chupeta

4 anos e nada do João largar a chupeta. Junto dela vinha a fralda para dormir e a mamadeira. Tentamos de uma forma frouxa, ir tirando uma coisa de cada vez, mas eu me rendia sempre que via aquele denguinho triste de menino grande pequeno. Tenho dificuldade de deixa-lo crescer, de entender que é preciso. Mas depois de duas noites de abstinência... ele conseguiu. Ele e eu. Preciso deixa-lo ir em frente. Quanto mais, menos meu. E vai ser sempre assim. Oficalmente, com quatro anos e dois meses.