sexta-feira, 6 de novembro de 2009

A cobra e a cococa

Tarde dessas em Teresópolis, vovó Marília apresentou uma minhoca ao João. Ele ficou espantadíssimo e muito animado com aquele bichinho que se contorcia e sumia nos buraquinhos da terra e dizia "Cococa! Cococca!! Cococa!!!". Isso aconteceu na escada de pedra, do lado esquerdo da casa, uma das passagens mais interessantes para o jardim. Era a hora do almoço para os adultos e a vovó precisava subir para dar os últimos ajustes com a cozinheira. Inconformado por ter que deixar de brincar com a Cococa, chorou das lágrimas pularem e batia as pernas no chão inconformado com tanta chatice. Tentamos distraí-lo com outras coisas, tomamos um sorvete de sobremesa e a Cococa ficou temporariamente esquecida.
No dia seguinte, como de costume, abri a janela do nosso quarto de manhã cedinho e coloquei o João sentado na janela com os pés para fora da grade. Fiquei contando as mesmas historias de sempre, acordando os passarinhos, procurando os macacos e dizendo que a neblina voltasse para o céu e chamasse o sol. Ele, prestando muita atenção na paisagem e em todas essas coisas que eu falava, de repente olhou para baixo e ... Lá estava a escada de pedra, a casa da Cococa! "Mamãe! Cococa! Cococa!!". Senti falta das minhas galochas e notei que já é hora de comprar umas pra ele também... Coloquei um roupão por cima da camisola, calcei uns crocs velhos em mim e nele, peguei o balde, o ancinho e a pá e lá fomos nós!!! "Vamos procurar Cococas João!!" Ainda tinha orvalho na grama, mas eu queria cavucar os canteiros da horta que fica lá no fundo e fingi que não vi que nossos pés ficariam ensopados. O próprio João ficou me mostrando a meia molhada mas como não dei importância, ele notou que às vezes faz parte da brincadeira um pouco de terra molhada.
Reviramos o canteiro, primeiro com o ancinho e depois com a pá. Quando eu pegava o ancinho ele tomava de mim. Se eu pegava a pá, era ela que ele queria. Quase brigamos pela ferramenta, mas logo me lembrei que afinal eu estava ali para brincar com ele e não para disputar seus brinquedos. NADA DE COCOCAS.
O novo caseiro, que catava pinhas para a lareira ali do lado, perguntou o que queríamos e quando eu disse minhocas, dentro de alguns segundos ele nos trouxe 6! Jogamos as criaturinhas no balde, colocamos terra e plantinhas para que comessem enquanto observávamos seu comportamento tímido. Mas estas estavam animadas e se reviravam rapidinho, o que dava uma sensação estranha no João, que sacudindo as mãozinhas dava gritos de exclamação! A esta altura o papai já tinha chegado para participar da brincadeira e começou a fazer cócegas no barrigudo, que lhe deu uns bons tapas zangado, dizendo "NÃO!!!".
Logo em seguida, grita de lá de casa a cozinheira: " Tem uma cobra na churrasqueira!!! Vem alguém aqui pegar esse bicho!". Mas que maravilha! Por essa eu não esperava! Saí em disparada, carregando a barriga com pressa para não perder a chance de ver tão temido bichinho. Eu estava certa que era um exagero feminino, e o Pedro estava bastante desconfiado daquilo, perguntando de longe: "Aparecida? De que tamanho é a cobra???"(ahahahahahahahahahah!) Chegamos os três no canteiro ao lado da churrasqueira e encontramos uma cobrinha de rio, uma cobra de nada, já cansada coitada. Pedi um vidro de geléia a guardei a cobra por mais um tempinho. Assim poderíamos compará-la com as Cococas do balde. Dei o vidro ao João que explorou o bicho lá dentro, olhou de um lado, olhou de outro.. mas gostou mesmo foi das COCOCAS!!!

O sapo que tinha rabo




O último feriado em Teresópolis foi ainda mais mágico que o anterior.
Saímos em busca dos "peixes" da nascente de varinha comprida em punho. A excitação começa já nas escadinhas por onde ele desce com uma das mãos agarrada à minha e a outra com a varinha. Aquela passagem quase secreta entre as babosas ainda estava muito coberta de musgo e limo o que a torna ainda mais misteriosa... Sentados no último degrau antes do poço, começamos a cutucar os girinhos e qual não foi a nossa surpresa.. !! Um deles estava completamente verde, já tinha as patas da frente e as de trás mas ainda conservava o rabinho!! Era praticamente um sapo! Ficamos ali muitos minutos, esquecidos de todos que deviam estar dentro de casa sem notar o nosso sumiço. A boca da calça de moletom estava toda molhada e as investidas da varinha na água espirraram água também no casaco e no cabelo. A Cuca, nossa companheira de aventuras sempre por perto, com a bola na boca, acabou deixando cair o brinquedo e quem disse que conseguíamos regatá-lo? Eu, desequilibrada como estou, corria o risco de cair lá dentro ou pior, me espatifar de bunda na escada.. O João, estava interessado demais nas criaturinhas verdes para perder tempo com a bola cor de rosa, sua velha conhecida. Ela não se fez de rogada: deu um pulo naquela água gelada e pé ante pé conseguiu de volta sua amiga! "Bravo Cuca! Agora corre daqui, antesque o papai te veja e comece a esbravejar!!!"

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

O castigo do João


Fui buscar o João na creche mais cedo do que de costume já que a saudade foi mais forte que o cansaço do final de semana. Eu queria ver aquela carinha feliz por me ver chegar na creche e voltar logo pro Jardim Botânico. O horário de verão faz com que tenhamos mais tempo para bricar antes do jantar, quem sabe dando um passeio como na quinta feira passada, quando fizemos uma boa farra na Lagoa?
A recepção foi deliciosa como sempre, com abraços mil e carinhos apertados. Entramos no taxi bem abraçadinhos e viemos pelo caminho, comendo bananas e olhando para os coqueiros em busca dos macacos. Quando chegamos em casa ainda pegamos o carrinho e demos uma boa volta no quarteirão, aproveitando para comprar leite e biscoito maizena no mercadinho da esquina. Voltamos de mãos dadas, ele sentado no carango, olhando para trás e fazendo contorcionismo para poder me dar a mão enquanto voltávamos para casa.
Ainda tivemos tempo de jogar bola, ouvir música, brincar de cosquinha e explorar o espaço amedrontador embaixo do berço antes da hora da ceia.
Depois da sopa de batata doce com espinafre e requeijão e da gelatina de uva começou a malcriação.... No banho não levantava para lavar o pinto. Jogava água pra cima, dava risinhos desafiadores, me testando a todo momento. Sem hesitar nem levantar a voz, falei firme e tirei o pequeno da banheira para ensaboar em pé do lado de fora. Chorou. Quando voltou para se enxaguar, recomeçou a bagunça e o choro cessou imediatamente.
Peguei o enroladinho de criança mais gostoso do mundo e levei para o trocador. Tudo estava bem até que ele sem mais nem porque, me deu um tapa. E outro. Ficou esperando a minha reação. Sem medo e bem determinada, peguei o moleque espivitado molhado e pelado, e coloquei no berço. Disse que ele não podia bater na mamãe e que por isso estava de castigo. Saí do quarto e encostei a porta. Silêncio. Logo em seguida, choro, choro e choro. "Mamãããnhêêêê... Auauaouauaua...."Minha intenção era a de permanecer do lado de fora durante um minuto e meio, tempo equivalente a sua idade. Não aguentei esperar esta eternidade e voltei com 50 segundos.
Encontrei ele ali, com os bracinhos esticados, me chamando com as mãozinhas nervosas, me pedindo colo. Quando fui pegá-lo, se jogou dando risadas no berço. Falei firme. João, está na hora de trocar a fralda e colocar o pijama. Você quer mais castigo? Na mesma hora, me obedeceu, veio no colo e dócil como de costume, me deixou fazer o que devia ser feito. Nos abraçamos como todas as noites, iluminamos o quarto com a lanterna, lemos o livro dos peixes e cheios de carinhos, adormecemos. É o início de outra fase de nossa relação.... Mamãe brinca, alimenta, dá carinho, cuida, e agora... EDUCA!

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Reclamação 1

Minha barriga não para de crescer, e a Antonia de se mexer dentro dela. Isso me assusta porque é sinal de que ainda tem espaço para estripulias e a barriga ainda crescerá muito mais até janeiro.
Me sinto cada dia mais cansada, desanimada de sair de casa, querendo me cobrir com uma burca e me esconder de todo mundo. Me lembro de ter sentido isso na outra gravidez, como uma gata que quando vai chegando perto de dar a luz, se recolhe dentro de um armário debaixo de panos velhos. Me sinto como um bicho. Uma fêmea. Já engordei muito mais que deveria e peso hoje um quilo a menos que pesava quando o João nasceu. Não consigo comer direito à noite (ótimo!), já não bebo mais líquidos depois do jantar e estou intolerante a adoçantes de um modo geral. Desanimada, sigo em frente trabalhando mais que nunca, sentadinha no meu ninho e esperando os últimos meses pela filhota. Ter filhos é maravilhoso. FICAR GRÁVIDA É HORROROSO!

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Mais alguns momentos de Teresópolis

Essa foi a primeira vez que João foi pra Teresópolis já sabendo andar. Gostou tanto que não parava de andar de um lado pro outro naquele imenso gramado!



Depois de tanto andar, o tempo esquentou e conseguimos curtir uma piscina! Já se joga da borda pra cima de quem tiver na água! No vídeo abaixo, ele se joga pra cima do primo Dudú!

Plunkt, Plackt.. Zuummmm!


Este foi o foguete que o João fez na creche hoje. Dentro tem água e purpurina.. Ou melhor, tem líquido anti-gravidade e pózinho de pirlimpimpim. Neste foguete ele foi bem pertinho das estrelas, mas no caminho, deixou de presente para a fadinha do dente...Um pedacinho de cada um dos dentes da frente. Caiu na escada da creche, bateu com a boca e quebrou os dois incisivos superiores. Na visão da creche e do pai foi pouquinho... na da mãe... nem tanto. Estava ótimo, não chorou quase nada, ganhou sorvete das Tias no lanche e deveria comer apenas pastosos e líquidos hoje, além de não usar chupeta e nem tomar mamadeira. Vamos pular a parte da chupeta e da mamadeira....

terça-feira, 13 de outubro de 2009

João e a Lareira...

Metafísica...

Uma dobra no tempo é um determinado espaço que não corresponde ao tempo convencional
por alguma razão criada artificialmente.
O meio mais fácil de se criar uma dobra no tempo é desmembrando uma pequena parte do
espaço, o qual deverá manter comunicação com o espaço principal por meio de um hiper portal, porém ai encontramos uma grande dificuldade: é necessário que o espaço desmembrado possua o seu próprio tempo, o qual deve ser independente do tempo convencional, pois caso contrário, qualquer pessoa que entrasse na dobra temporal ficaria desnorteada e seria desintegrada instantaneamente.
O desmembramento de um pedaço do espaço facilita a geração de uma dobra temporal,porém não é essencial, pois se uma pessoa for capaz de gerar seu próprio tempo , parará imediatamente de corresponder ao tempo convencional e passará a
corresponder ao novo tempo criado,. E os dois tempos passarão a existir paralelamente, com isso a pessoa poderá viajar no tempo para o passado e para o futuro, ou simplesmente congelar o tempo e viajar mais rápido que a luz, isso sem sequer sair do espaço convencional, porém é bom tomar cuidado ao escolher o local a realizar sua viajem temporal, vai que você escolhe um local em que foi mar no passado, se você não souber nadar estará com sérios problemas, sem falar no fato que vai molhar o equipamento todo.

Uma dobra no tempo...



Me lembro de caçar sapos com meu tio Frederico no jardim da casa de Teresópolis. Lembro também das muitas tardes que passsei construindo barcos com as bóias de isopor da piscina e tábuas improvisadas que não sei de onde vinham para depois brincar no rio que corre no fundo da casa. O grande barato era que elas realmente flutuavam no rio e eu me achava a própria Indiana Jones… Na nascente do jardim eu via fadinhas escondidas no meio das babosas, e ficava ali muito tempo, nem sei dizer quanto, sozinha, imaginando que apareceriam muito mais criaturas fantásticas quando anoitecesse e eu tivesse que entrar em casa para tomar sopa no lanche.
Naquela época toda a água que bebíamos vinha dali, e tinha um gosto fresco de chuva.
Hoje desci a mesma escadinha de pedra, de mãos dadas com o João e com a Antônia aqui dentro. Disse a ele que veríamos a casa da bruxa, as fadinhas e com sorte, o sapo cururu. A água, que já não é mais potável, estava represada e a nascente entupida pelas raízes que cresceram nos últimos meses que estivemos sem caseiros. Isso foi ótimo, porque formou-se um laguinho cheio de musgo, folhas secas e GIRINOS! Arrumei um graveto bem comprido e deixei que ele ficasse no degrau mais próximo da água. Ele agitava o novo brinquedo na superfície e os girinos nadavam rapidinho, o que fazia o João dar gritos de excitação e alegria. Ficamos ali um tempão, distraídos com o graveto, a água, o peixe, o musgo, as formigas e as histórias que eu inventava. Eu fiquei feliz porque me via nele, e despertava sua curiosidade, fantasia e amor pela natureza. Todo sujo de terra, molhado de água de girino e musgo, ele também teve que subir as escadinhas para almoçar… Ele também não gostou de deixar as fadas, o sapo cururu e a fantasia daquela gruta encantada…

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Eu & Antônia com 5 meses no Pompidou em Agosto de 2009