segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Fique pequenininho, na minha canção...

Quando estivemos no novo pediatra na semana passada ele me perguntou todos os detalhes sobre a gestação, o nascimento e a amamentação. Esta última, um capítulo a parte que faço questão de explicar nos mínimos detalhes por ser a coisa mais intensa e maravilhosa que já experimentei na vida. O Dr. me apoiou e elogiou muito, o que afaga a minha vaidade e enche de orgulho. Entretanto, médicos servem para nos falar a verdade e lidam com fatos e ele me alertou para um muito chato. Quando eu voltar a ovular e portanto voltar a ter regras mensais, o leite vai diminuir e gradativamente terminar. Fiquei aborrecida e com algumas dúvidas a respeito, que com a consulta já tão longa a estas alturas, resolvi não perguntar. Afinal, enquanto ele mamar, terei leite... não era assim com as amas de leite de antigamente?
Hoje tive uma dor de cabeça dilacerante e a regra desceu ainda tímida. Eu estava em casa, já que hoje foi dia do comércio e eu só trabalhei até uma da tarde. Tive uma sensação de veredicto, de despedida, de tristeza, de saudade, de revolta, de raiva, de nostalgia.. tudo isso misturado a um mar de choro incontrolável. Estava dando mamá deitada na cama e a medida que abraçava meu pequenininho pensava que uma fase maravilhosa estava terminando, que o meu bebezinho está crescendo, que começa a ser um pouquinho mais independente de mim. Quanto mais eu chorava, mais ele se mantinha imóvel, com os olhinhos arregalados, me apertando o cabelo junto ao couro, com a respiração ofegante de pavor e um biquinho que ensaiava chorar junto comigo. Ele parecia entender tudo e me deu de volta todo o carinho que eu precisava naquele instante. Era como se ele me dissesse, "mamãe, eu estou aqui, pertinho de você e vou te amar pra sempre". O fato de ter tido um menino me faz consciente de que nosso elo se romperá mais cedo do que eu imagino. Meninas sempre ficam por perto nas fases mais importantes da vida. Buscam conselho, colo e aprovação. Meninos vão para o mundo e não trocam tantas figurinhas com as mães. Por isso, minha prioridade tem sido o João desde que ele nasceu. Intensa, radical, ame ou odeie, 8 ou 80... Não é isso que sempre falaram de mim? Pois faço jus a estes predicados e estou vivendo um momento em que a minha prioridade é o João, 100%. É com ele que eu quero estar, falar, brincar, contar historinhas, viver. Porque um dia meu filhotinho, você vai crescer...

Um comentário:

Gabriela disse...

Norita
Você consegue sempre me deixar com os olhos cheios de lágrimas com as coisas que escreve.
Muito lindo e muito verdadeiro.
Beijão da sua fã
SOGRITA